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16.03 Subordinação

A oração subordinada como termo de outra oração

Dissemos que as orações subordinadas funcionam sempre como termos essenciais, integrantes ou acessórios de outra oração. Esclareçamos melhor tais equivalências.

1. No seguinte exemplo:

É necessária a tua vinda urgente.

o sujeito da oração é a tua vinda urgente, termo essencial, cujo núcleo é o substantivo vinda. Mas, em lugar dessa construção com base no substantivo vinda, poderíamos dizer:

É necessário que venhas urgente.

O sujeito seria, então, que venhas urgente, termo essencial representado por uma oração.

2. Neste exemplo de Jorge Amado:

Mas quem adivinha a vinda de um jararacuçu-apaga-fogo?

o objeto direto de adivinha é a vinda de um jararacuçu-apaga-fogo, termo integrante, cujo núcleo é o substantivo vinda.

Em vez dessa construção nominal, poderíamos ter dito:

Mas quem adivinha que virá um jararacuçu-apaga-fogo?

Com isso, o objeto direto de adivinha passaria a ser que virá um jararacuçu-apaga-fogo, termo integrante representado por uma oração.

3. Neste exemplo de Machado de Assis:

Senhor, não desaprendi as lições recebidas.

o adjunto adnominal, termo acessório, está expresso pelo adjetivo recebidas. Mas, se quisesse, o autor poderia ter substituído o adjetivo recebidas por que recebi.

Senhor, não desaprendi as lições que recebi.

Teríamos, neste caso, como adjunto adnominal de lições a oração que recebi. Por outras palavras: teríamos um termo acessório representado por uma oração.

4. Neste período de José de Alencar:

Caubi saiu para ir à sua cabana, que ainda não tinha visto depois da volta.

são três os adjuntos adverbiais (termos acessórios) da segunda oração:

a) ainda — adjunto adverbial de tempo;
b) não — adjunto adverbial de negação;
c) depois da volta — adjunto adverbial de tempo.

Mas, em vez da expressão adverbial de tempo depois da volta, poderíamos ter empregado uma oração — depois que voltara:


Caubi saiu para ir à sua cabana, que ainda não tinha visto depois que voltara.

Depois que voltara, adjunto adverbial de tinha visto, é, pois, um termo acessório representado por uma oração.

5. Do que dissemos uma conclusão se impõe: o período composto por subordinação é, na essência, equivalente a um período simples. Distingue-os apenas o fato de os termos (essenciais, integrantes e acessórios) deste serem representados naquele por orações.

Classificação das orações subordinadas

As orações subordinadas classificam-se em substantivas, adjetivas e adverbiais, porque as funções que desempenham são comparáveis às exercidas por substantivos, adjetivos e advérbios.

Orações subordinadas substantivas

As orações subordinadas substantivas vêm normalmente introduzidas pela conjunção integrante que (às vezes, por se), podendo, no entanto, ser iniciadas por pronome indefinido, pronome ou advérbio interrogativo.

Segundo o seu valor sintático, podem ser:

1. subjetivas, se exercem a função de sujeito:

É provável / que ela case outra vez. / (M. de Assis)

2. objetivas diretas, se exercem a função do objeto direto:

Perguntam-me / se ainda me lembro de Cordeiro. (M. Mota)

3. objetivas indiretas, se exercem a função de objeto indireto:

Desconfiei / de que você armava um plano qualquer... / (M. Palmério)

4. completivas nominais, se exercem a função de complemento nominal:

Dai-me a certeza / de que eu devo ousá-lo./ (M. Bandeira)

5. predicativas, se exercem a função de predicativo:

A única particularidade da biografia de Fidélia é / que o pai e o sogro eram inimigos políticos. (M. de Assis)

6. apositivas, se exercem a função de aposto:

É preciso que o pecador reconheça ao menos isto: / que a Moral católica está certa / e é irrepreensível./ (O. L. Resende)

7. agentes da passiva, quando exercem a função de agente da passiva:

— As ordens são dadas/ por quem pode. / (F. Namora)

Observação:

As orações subordinadas substantivas que desempenham a função de agente da passiva iniciam-se por pronomes indefinidos (quem, quantos, qualquer, etc.) precedidos de uma das preposições por ou de:

O cargo foi ocupado / por quem realmente merecia /
Pela sua bondade ela é estimada / de quantos a conhecem. /

Omissão da integrante que

Depois de certos verbos que exprimem uma ordem, um desejo ou uma súplica, pode-se omitir a integrante que:

Queira Deus / Não voltes mais triste. (M. Bandeira)

Orações subordinadas adjetivas

1. As orações subordinadas adjetivas vêm normalmente introduzidas por um pronome relativo, e exercem a função de adjunto de um substantivo ou pronome antecedente:

Há nomes / que andam, / nomes / que rastejam, / nomes / que voam. / (R. Ortigão)
Oh! Bendito o / que semeia livros... livros a mão cheia. / (C. Alves)

2. A oração subordinada adjetiva pode, como todo adjunto adnominal, depender de qualquer termo da oração, cujo núcleo seja um substantivo ou um pronome: sujeito, predicativo, complemento nominal, objeto direto, objeto indireto, agente da passiva, adjunto adverbial, aposto e, até mesmo, vocativo.

Orações adjetivas restritivas e explicativas

As orações subordinadas adjetivas classificam-se em restritivas e explicativas.

1. As restritivas, como o nome indica, restringem, limitam, precisam a significação do substantivo (ou pronome) antecedente. Exercem a função de adjunto adnominal. São, por conseguinte, indispensáveis ao sentido da frase; e, como se ligam ao antecedente sem pausa, dele não se separam, na escrita, por vírgula:

Lá fora da barra está um navio/ que apita. / (J. Amado)

2. As explicativas acrescentam ao antecedente uma qualidade acessória, isto é, esclarecem melhor a sua significação, à semelhança de um aposto. Mas, por isso mesmo, não são indispensáveis ao sentido essencial da frase. Na fala, separam-se do antecedente por uma pausa, indicada na escrita por vírgula:

Tio Cosme, / que era advogado, / confiava-lhe a cópia de papéis de autos. (M. de Assis)

Orações subordinadas adverbiais

Funcionam como adjunto adverbial de outras orações e vêm, normalmente, introduzidas por uma das conjunções subordinativas (com exclusão das integrantes que, vimos, iniciam orações substantivas). Segundo a conjunção ou locução conjuntiva que as encabece, classificam-se em:

1. causais, se a conjunção é subordinativa causal:

/ Como anoitecesse, / recolhi-me pouco depois e deitei-me. (M. Lobato)

2. comparativas, se a conjunção é subordinativa comparativa:

Juro-lhes que essa orquestra da morte foi muito menos triste / do que podia parecer. / (M. de Assis)

Observação:

Costuma-se omitir o predicado da oração subordinada comparativa, quando repete uma forma do verbo da oração principal. Assim:

Teus olhos são negros, negros / como as noites sem luar... / (C. Alves)

Ou seja: como as noites sem luar [são negras].

3. concessivas, se a conjunção é subordinativa concessiva:

/ Ainda que não dessem dinheiro, / poderiam colaborar com um ou outro trabalho. (O. L. Resende)

4. condicionais, se a conjunção é subordinativa condicional:

/ Se fosse antes, / não me importaria. (A. M. Machado)

5. conformativas, se a conjunção é subordinativa conformativa:

Houve, / segundo me pareceu, / cochichos e movimentos equívocos. (G. Ramos)

6. consecutivas, se a conjunção é subordinativa consecutiva:

O caminho é tão comprido / que não tem fim. / (J. de Lima)

7. finais, se a conjunção é subordinativa final:

Estirava o indicador e contraía o médio, / para que ficassem do mesmo tamanho. / (G. Ramos)

8. proporcionais, se a conjunção é subordinativa proporcional:

Mais se alheava do mundo /
À proporção que crescia. / (O. Mariano)

9. temporais, se a conjunção é subordinativa temporal:

Você verá / quando estiver habituado. / (G. Ramos)




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